Com Tatiana Andrade - Assistente Social

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Porque nos escondemos em nossas hipocrisias e conceitos morais?


Conversando com uma pessoa hoje surgiu uma conversa sobre o que é ultrapassar os limites morais. Bom, pensei e perguntei-me que limites? Os impostos pela sociedade? Pela família? Qual será o limite entre a moral, a ética e o imoral? O que é certo? O que é errado? Devemos considerar os costumes, as crenças de cada sociedade o que é imoral em um país pode ser moral em outro, tudo é uma questão do ponto de vista. Como em países que a bigamia é aceitável, ou o uso da maconha em outro país ou determinada crença.
Toda sociedade, comunidade, tribos, etc, estabelecem entre si um “padrão” ou um limite entre o moral – imoral- ético e essa sinergia deve ser respeitada. Isso genericamente analisando, o que ressalva outros costumes dentro de outros costumes como a igreja. Por exemplo: não mentir, não matar, roubar, falso testemunho, são condutas estabelecidas para obtermos uma convivência “saudável” perante a sociedade.
È fato, que o mundo é mutável, barreiras são quebradas, conceitos desconstruídos, novos conceitos surgindo. Quando você pergunta a uma pessoa o que admira mais em um ser humano ou o que se espera dele seja em casa, no trabalho, nas relações sociais ou amorosas a resposta quase sempre é: Honesto (a), Boa Conduta, Ético, Responsável, Caráter e assim por diante. Mas, será que paramos para analisar esses conceitos?
O que é politicamente correto? Você ser honesto? O que você pensa sobre honestidade, caráter e boa conduta? Ou vivemos o jogo da conveniência? Darwin afirmava em suas teorias que o mundo é dos fortes! Somente os fortes conseguem sobreviver ao sistema. Estamos sobrevivendo ao sistema? Com que armas?
O que é ser ético? Moral? Estamos presos em nossas hipocrisias? O que me levou a escrever foi a necessidade de expor minha angustia em ver certas pessoas que vivem para sociedade, são politicamente corretas, mas no fundo vive num mundo de hipocrisias e mentiras, e julgam os outros por suas atitudes. Acho que devemos ser verdadeiros uns com os outros, afinal, nossa luta é interna, só perdemos para nós mesmos. Quem disse que eu não posso ser eu? Se eu sentir vontade de gritar na rua porque estou feliz, ou abraçar meus amigos e dizer que os amo, serei julgada?  Ou se eu quiser expor o que acho de uma pessoa por ter cometido um ato que me magoou serei julgada? Ou fazer o jogo da conveniência, típico de nossa sociedade? Você vale o que tem ou que pode levar de vantagem.
Cabe a nós julgarmos quem se prostituiu? Quem trai? Quem rouba? Sempre busco um ponto de equilíbrio entre o que é certo e o errado, devemos compreender o mundo, o ser humano em sua subjetividade, peculiaridades e também dificuldades.
Certa vez, atendi uma mulher de 23 anos, 5 filhos (pais diferentes) e solteira, que chorava ao me contar sua situação. Analfabeta, nunca teve oportunidades, sofreu abuso do próprio pai, e estava literalmente “surtada”. Colocou seus filhos dentro de casa, sem nada para comer, sem perspectiva nenhuma e tentou se matar colocando fogo na casa. Logo em seguida, as pessoas comentaram, “meu Deus que mulher louca”, “como faz isso com seus filhos”, “a culpa é dela porque é puta, vive bebendo, deveria perder a guarda dos filhos”. Porque o ser humano tem necessidade de julgar? Lógico que para os comportamentos estabelecidos pela sociedade ela com certeza seria uma louca. Eu vou mais além, alguém parou para analisar o contexto social, emocional, econômico na qual foi submetida esta mulher? Que essa é a realidade de milhões de brasileiros, ou precisamente de 16 milhões de brasileiros em situação de miséria segundo IBGE 2010? Ou estamos totalmente presos em nossas hipocrisias e conceitos morais e éticos que fechamos os olhos para nossa dura e cruel realidade? Das favelas a ribeirinhos, dos ribeirinhos aos indígenas, dos assentamentos aos abrigos, dos abrigos as ruas.
Ate quando criaremos ou ditaremos conceitos ao invés de ajudarmos e compreendermos essa triste realidade, o que é correto para você não é para o outro, a sua realidade não é a do outro.
Portanto, coloque-se sempre no lugar do seu próximo!!!

2 comentários:

  1. A mania do brasileiro é julgar. É tão facil parar pra pensar antes de falar, mais nem sempre pensamos em pensar.

    ResponderExcluir
  2. É verdade Roberto, o ser humano tem a necessidade de julgar e criar um egocentrismo desnecessário!
    Obrigada.

    ResponderExcluir

© Cidadania e Participação Social, Todos os Direitos Reservados.

Designed by Roberto Acioli - R Design