Com Tatiana Andrade - Assistente Social

domingo, 7 de julho de 2013

Refletindo sobre Política e Participação Popular


O que é ser político? Quais os reais motivos que levam uma pessoa a se envolver com a política? Todos nós somos políticos? É possível fazer a diferença? Quando parar? 
São tantas perguntas ou questionamentos que me inquietam e sempre me remeto ao assunto política, é um desejo constante que possuo no sentido de obter respostas. Quando ingressei na universidade as matérias de sociologia, filosofia e ciências políticas me chamaram a atenção. Estudar a construção das políticas sociais na Europa e no Brasil, compreender todos os filósofos e suas teorias sobre o comportamento humano e social me fascinava, do welfare state na Europa à ditadura no Brasil, todos procurando uma forma de amenizar a pobreza, os conflitos sociais, morais e religiosos da época. 
Poderíamos afirmar que o homem é lobo do próprio homem, como escreveu Tomas Hobbes? Ou que o homem em sua totalidade deve exercer o poder sobre as pessoas de forma autoritária e constituir um Estado forte em sua essência, como afirmou Maquiavel? Todavia, as questões que envolvem a palavra política encontram-se intrinsecamente conectadas ao que denominamos de “Poder”, definindo quase sempre as opiniões das pessoas quando o assunto é política. Se perguntarmos hoje, em pleno século XXI porque as pessoas se envolvem com política certamente você escutará: “Com certeza pelo dinheiro e o poder”, ou “São todos corruptos”.

 Afinal, por que temos receio de nos envolvermos com política? Se todos os dias de nossas vidas somos levados a tomar decisões políticas que irão definir nosso destino? É uma questão de decisão. 

Quando me refiro aos sociólogos e filósofos e ate mesmo os religiosos parto do pressuposto que todos fizeram a diferença através de seus pensamentos, opiniões e criticas, de possuírem uma inquietação com o que estava posto na sociedade, sejam costumes, religião, crença, sistema político, etc. Desta forma, o ser humano sente necessidade de ser governado, por grupos ou uma pessoa que assuma responsabilidades. Precisamos ser governados? Cuba é um exemplo do socialismo? Ou o capitalismo selvagem que Karl Marx tanto pontuou será nosso mal? Que sistema seguir? 
Com certeza todo sistema é falho, e estamos em constante incoerência com o que pregamos, pois, se alegamos que a igualdade deve ser respeitada, possuímos desigualdade, sempre terá uma classe desfavorecida. Na verdade o Estado existe porque há desigualdade. Então, paremos de ficar tentando buscar teorias sobre qual sistema seguir, mas sim, buscar compreender e lutar com o que está posto e buscar formas de alcançarmos a cidadania plena, igualdade e justiça social. Ser político, é ter consciência crítica, é perceber o mundo em sua historicidade e totalidade, é a percepção subjetiva e objetiva da sociedade sistematizada no que denominamos de materialismo histórico dialético (ação – reflexão- ação). É quando ultrapassamos nossa inércia, é quando nos lançamos para a compreensão dos fatos e fenômenos sem que haja uma visão empirista e positivista. 

Nossa capacidade crítica, realista e científica é que nos leva a analisar os fatos que estão postos na sociedade. Isso é sermos políticos!! 

Assim podemos transcender nosso conhecimento, horizontes e destinos das políticas públicas. Infelizmente, estamos longe de obtermos esta consciência política, pois, historicamente fomos “domesticados” a aceitar tudo como favor, se fizermos uma análise histórica, no Brasil essa concepção do paternalismo vem desde a época da colonização onde os negros, índios e todas as classes desfavorecidas, sem formação, analfabetos, destituídos de qualquer “civilidade” aceitavam tudo como favor (podemos perceber esta realidade na contemporaneidade?). 
Pois bem, respondo. Hoje, a maioria das pessoas se envolvem com política e digo precisamente nos interiores brasileiros, por tradição familiar, por pessoas que obtém maior poder aquisitivo e/ou pelos “mais intelectuais”, outra vertente, os que gostam do poder, e por enraizar a política como politicagem e por querer “ajudar as pessoas”. Embora estes conceitos estejam sendo combatidos por diversas ideologias políticas, se é que ainda existem ideologias políticas partidárias, possuímos um modelo descentralizado, participativo, que coloca o Estado, a União e Municípios para uma gestão digamos que mais “sofisticada”, com leis de responsabilidade fiscal, PPA, LDO, LOA, participação popular, conselhos e etc. Tudo no papel é muito brilhante, assim como a Constituição Federal de 1988. 
Contudo, o que quero refletir, é que, mesmo com esta mudança no cenário político, ainda observamos o baixo nível de consciência crítica da população, alinhados a falta de escolaridade, analfabetismo, desigualdade de renda, separatismos culturais, sociais e principalmente econômicos, que os afastam desta “lógica” de “fiscalização das políticas públicas”, enfraquecendo o debate, a participação e fortalecendo ainda mais práticas “paternalistas e clientelistas” por parte dos políticos. 
Desta forma, acredito que muitos se envolvem com política, por ser uma profissão muito atraente “para suas contas bancárias” ou por um desejo incontrolável de “ajudar as pessoas”. Bom, esta humilde opinião baseia-se no meu senso comum, que se coaduna quando estudo diariamente sobre os desígnios das políticas públicas no Brasil, através de artigos e pesquisas cientificas que reforçam meu pensamento teórico. 
Acredito que todos nós somos políticos, porque tomamos decisões diariamente, basta exercitarmos nosso “espírito” de criticidade, fazer aflorar em nós o desejo de compreender a construção da nossa história, pois, somos sujeitos históricos e únicos. Precisamos de espaços de participação social, de uma educação de qualidade, sem educação não podemos ter uma sociedade capacitada, sem igualdade social e econômica não alcançaremos o pleno desenvolvimento. Fazer a diferença em meio aos diferentes é possível, e não devemos parar, porque toda conquista demanda de luta e sacrifício. 
Sejamos políticos e críticos!!
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