Com Tatiana Andrade - Assistente Social

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Lei Orgânica da Assistência Social completa 19 anos.


 07/12/2012 09:20 Brasília.
No dia 7 de dezembro de 1993, os movimentos sociais e entidades de assistência social do Brasil assistiam à aprovação, pelo Congresso Nacional, da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas). Dezenove anos depois, o país celebra os enormes avanços de uma política de garantia de direitos consolidada, que proporciona o resgate da cidadania e a diminuição das desigualdades. 
Nesta sexta-feira, também se comemora o Dia Nacional da Assistência Social, instituído em 5 de agosto de 2005 pela Lei nº 11.162, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A secretária nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Denise Colin, destaca uma série de conquistas, que só foram possíveis a partir da existência da Loas. A principal, ressalta, foi a transformação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) em lei federal, em julho de 2011.

 “Essa legislação, reproduzida por todos os estados e municípios, confirmou a nossa política pública como um direito de toda a população.” 

 Para a presidenta do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Luziele Tapajós, os 19 anos da lei representam o abandono definitivo do assistencialismo no Brasil e sua substituição por uma política forte e universal. “A Loas, de fato, deu nova constituição à assistência social. E, ao dar essa constituição forte de política pública, permitiu a consolidação do Suas, demonstrando a força de uma política que se constrói com as demandas do cotidiano e com a oferta universal de serviços socioassistenciais e de benefícios de transferência de renda.” A opinião de Luziele é compartilhada pelo presidente do Conselho Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas), Valdiosmar Santos. Para ele, o melhor é perceber o quanto a Loas mudou, na prática, a vida do povo brasileiro. 

"Ela trouxe para as pessoas dignidade e qualidade de vida, além a cidadania.” Segundo ele, “quando assistidas pelo Estado, as pessoas começam a se perceber como seres independentes e como cidadãs, na medida em que não se sentem mais obrigadas a votar naquele que lhe dá a cesta básica, que faz as benemerências. Temos, por isso, muito a comemorar.”

 Festejar a Loas significa lembrar de um passo importante que o povo brasileiro e os movimentos sociais deram, ao dizer que o Estado é o ente responsável por universalizar as ações da assistência e colocá-la no campo do direito, e não do voluntarismo, ressalta a presidenta do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Assistência Social (Fonseas), Maria Aparecida Ramos. “Mais do que comemorar, temos que trabalhar para que esse sistema avance cada vez mais, para alcançar a equidade social e a distribuição de renda em termos que atendam aos interesses de toda a população.” 


 COMENTÁRIO DO TEXTO 

O QUE MUDOU NA ASSISTÊNCIA SOCIAL? 
Muita coisa mudou na Assistência Social após a constituição federal de 1988 e aprovação da LOAS em 1993, uma delas é constituir a Assistência Social como Política Pública direito do cidadão e dever do Estado. Avançamos sob um olhar crítico da realidade sob os impactos ocasionados pela perversa má distribuição de renda em nosso país.  Muitos profissionais contribuem para o desenvolvimento da política da assistência social e faz dela um dos maiores desafios da contemporaneidade, pois, é como se estivéssemos “nadando contra a maré”, lutando contra o sistema “da exclusão” e devemos encarar a Assistência Social não como “gasto” para os cofres públicos, mas sim como investimento. 
Fica claro que os objetivos definidos pela LOAS saem definitivamente do papel sendo fortalecida com a implementação da Política Nacional de Assistência Social e do Sistema Único de Assistência Social, engrenando um novo arcabouço de proteção social aos mais vulneráveis. É importante salientar que, a construção da proteção social no Brasil atravessa por um momento único, de respeito, abrindo os olhos de nossos governos à questão social tão latente em nosso país. A história da assistência social é marcada por lutas de trabalhadores sociais, movimentos sociais, intelectuais, cidadãos e organizações não governamentais atuantes na área: “E essas lutas, muito específicas em 80/90 (CF; LOAS), materializaram-se em agendas políticas democráticas, dentre elas a construção do SUAS”. (LOPES, 2006, p. 77). Essas lutas ocorreram em um contexto de inúmeras contradições e resistências e que desafiava implantar uma política pública dentro de um contexto contraditório. 
Os trabalhadores envolvidos com a área devem se posicionar e lutar em favor da política, e para isso, é preciso buscar conhecimentos sobre todo o contexto que envolve o SUAS. Portanto, é necessário que tenhamos amplas discussões dentro dos municípios, estados e DF envolvendo o órgão gestor, os assistentes sociais, profissionais da área, todas as entidades sociais, conselhos e principalmente os usuários, para o aprimoramento, aprofundamento e amplo entendimento dos novos rumos da Assistência Social.
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