Minha Reflexão sobre a II Conferência Municipal de Educação de Utinga/BA realizada hoje no Colégio Zenaide Barreto:
Quem me conhece sabe muito bem o quanto gosto de falar, falar, expor o que sinto, minhas ideias, argumentações e por ai... O fato é que, essas semanas foram bastante intensas no âmbito profissional e inquietantes, pois, sempre fico entre os meus questionamentos, minhas percepções profissionais, no que posso mudar, avaliar minha prática, às vezes querendo desistir de tudo! Na verdade, ainda possuo muitas inquietações, e percebi que preciso (realmente) de novos horizontes, me lançar, me jogar em busca de novos projetos profissionais.
Descobri uma paixão pela docência, pela militância lutar pela categoria! Pois bem, tive uma noite de sexta feira cheia de emoções, discursos, elogios, e durante a aula, alunos apresentando seminário sobre Políticas Públicas: tema Ser Diferente é Normal? que organizei junto à Universidade fiquei eufórica, entusiasmada e extremamente feliz, pois, eles (as) conseguiram, e fui capaz de perceber que , se eu falo tanto sobre participação, educação, porque não fazer parte deste processo? Porque não me colocar à disposição para lutarmos por um ensino justo e de qualidade, porque não me aprofundar em pesquisas e em movimentos sociais novamente??
Hoje, fui convidada para participar da II Conferencia Municipal da Educação de Utinga. Estou encantada, emocionada, renovada! Tive a oportunidade de me emocionar com a palestra da professora e mestre Valquíria Lima de Salvador - professora da UFBA e IFBA, negra, militante, poetisa, apoia movimentos culturais e hip hop. Ela explanou com categoria histórica sobre: Educação e Diversidade: Justiça Social e Direitos Humanos. Nossa!! Viajei, me emocionei, arrepiei, foi um banho cultural, literário e de realidade! A forma como foi contextualizada a história da educação no Brasil, com enfoque histórico, perpassando todas as fases: Colônia, Império, República e Contemporaneidade, nos mostra o quanto a história do Brasil foi marcada por lutas, exclusão, violência, segregações e resistência.
Cito a fala da professora Valquíria: “A ótica neoliberal retirou dos jovens a capacidade de acreditar no ensino público como espaço de transformação das suas vidas”.
Fiquei ali sentada, com o coração inquieto e ao mesmo tempo ansioso, revigorado e lembrando do meu tempo na universidade e na época que participava de palestras deste porte, da militância política não partidária E perguntei-me o que estou fazendo?? Preciso urgentemente me engajar, e defender veementemente a Educação e a inserção de Assistentes Sociais no sistema educacional.
Desta forma, o sentimento que pairou naquele momento no meu coração foi um misto de inquietação e um estado revigorante. De inquietação porque às vezes nos sentimos tão impotentes diante da complexidade existente em nossa sociedade seja ela econômica, política e que nos exige tantos padrões e lutas. Revigorante porque, quando penso que estou inerte a esta conjuntura, sempre aparece momentos como estes de reflexão e discussão, possibilitando o “reavivamento” da minha prática.
Posso dizer que o conceito ou pré conceito de Utopia soou como música aos meus ouvidos hoje. Sempre tentei compreender porque tantas teorias e ideologias se apresentavam tão Utópicas e pensava: É ilusório demais para ser concretizado no dia a dia, algo distante. Mas, hoje, minha compreensão crítica atrelada aos meus conhecimentos teóricos e principalmente ao meu senso comum, mediante a observância dos movimentos sociais, da história de luta e resistência do povo brasileiro, chego à conclusão de que precisamos ser Utópicos, precisamos marchar em busca “daquilo” que as pessoas nos dizem que é impossível, ou ideológico demais para ser concretizado, “nadar contra a maré”, “usar o vento ao nosso favor”, ao menos estaremos lutando, resistindo, sonhando, conquistando direitos e espaços de representatividade!
Parabéns a todos (as) Professores (as), categoria forte, resistente e imprescindível para nosso País!!!
