Visitando uma casa abrigo de idosos, me deparei com várias situações. O primeiro impacto foi a certeza de que vou envelhecer, isso se eu consegui chegar a velhice, o segundo foi o fato de que precisarei ter pessoas que amo ao meu redor e que me amem, respeitem e acima de tudo não me mandem para o asilo! O terceiro é inevitável não podemos retardar o envelhecimento.
A ciência e a tecnologia vêm contribuindo para mudar nossa pirâmide etária, estamos vivendo mais, e esses impactos refletem em muito na nossa qualidade de vida, no destino da previdência social que não poderá suportar por muito tempo tantos pagamentos previdenciários sobrando para o trabalhador que terá que aumentar seu tempo de contribuição e na saúde terá mais procura pelo SUS. São tantas questões que os nossos governantes terão que analisar minuciosamente os desígnios das políticas voltadas à terceira idade e a qualidade de acesso aos serviços.
Chegar a velhice nos amedronta e não podemos ter tanta certeza de que chegaremos lá pois, viver com qualidade depende de vários fatores como: saúde, trabalho, segurança e etc., que fica difícil afirmarmos com convicção se iremos conseguir sair de casa e chegar vivo depois de exaustiva jornada de trabalho, ou se vamos ter condições de pagar pelos serviços da saúde uma vez que existem várias pessoas que dependem do serviço público. Vai entender a dinâmica da vida. Tudo que nasce, cresce, amadurece, e morre. O difícil mesmo é encararmos o envelhecimento, porque vai exigir de nós muita maturidade para enfrentarmos os dissabores dessa fase. Não sejamos hipócritas, quando envelhecemos não somos tão virirs, fortes, esbeltos e belos, tudo transforma e é difícil encararmos essa fase. As doenças decorrentes do nosso sistema que não funciona da mesma forma, a exclusão da sociedade, preconceitos, e acima de tudo nossa aceitação.
A sociedade esta preparada para envelhecer? Qual é sua visão de velhice?
Cada geração tem seus próprios interesses, mas deve-se levar em conta que o envelhecimento populacional e qualidade de vida têm elevado o numero de idosos em nosso país e com este crescimento a questão social ficou mais latente. Quando se trata do idoso os interesses capitalistas e neoliberais tendem a segregá-los e “descartá-los” como “velhos e ultrapassados”. Portanto, devemos investir em políticas públicas que deem autonomia, espaço, oportunidades e inclusão social a este público, pois, aumentam as possibilidades de exercício da cidadania e da promoção da inclusão social, autonomia e empoderamento.
Quando me remeto à atuação da Assistência Social observo que a consolidação do Sistema Único da Assistência Social – SUAS- aos poucos ganha força e legitimidade, desta forma, dentro deste contexto a política do idoso passou por algumas transformações e conquistas, contudo, ainda vemos vários preconceitos e direitos negados e negligenciados. Com a consolidação do SUAS, adotamos uma política descentralizada e pautada nas reais necessidades dividindo os níveis de proteção social em básica e especial. A política do idoso é inserida na assistência social desde o reconhecimento universalista da seguridade social – assistência social não contributiva, saúde e previdência – que regulamentou vários direitos aos idosos. O Centro de Referência de Assistência Social – CRAS - engloba através das suas portarias e tipificação várias ações de proteção social aos idosos. As leis brasileiras (Constituição de 1998 e a lei 44812 de 1994 que implantou a Política Nacional do Idoso e a lei 10.741 de 2003 que criou o Estatuto do Idoso), definem a família, a comunidade e o Estado como os responsáveis pelo bem estar da população idosa. Mas, na sociedade são as famílias as principais provedoras de cuidados e assistência aos seus membros, devemos fortalecer o papel do Estado no que tange a promoção e proteção da política do idoso através dos espaços institucionais e os profissionais envolvidos fortalecer os espaços de participação da sociedade e das famílias.
Portanto, estimular a reflexão sobre a política do idoso é um desafio, pois, estamos marcados por uma sociedade individualista que tende a segregar pessoas por grupos, faixas etárias, por “quem é o mais forte”, sucumbindo o idoso (a) a uma terminologia do mais fraco. Precisamos que as políticas sociais destinadas aos idosos sejam cumpridas, e que os CRAS, Conselhos e instituições e outras políticas públicas como saúde, educação, etc, desenvolvam um trabalho não de adaptá-los a sua condição de velho e descartável – um conceito errôneo e mercantilista - mas sim de possibilidades, de oportunidades e empoderamento.

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